Denúncia: cartão prépago para saúde causa dor de cabeça em autoridades

Saúdecard: Roberto precisa de mais 300 pontos para trocar por um livro de receitas da Ana Maria Braga.

A saúde é um problema no Brasil há bastante tempo, mas não em uma pequena cidade do interior da Paraíba.

São João de Jacutinga da Serra do Norte, um município com 30 mil habitantes, vive outra realidade no sistema de  saúde oferecido à população. O prefeito, Antônio Dias, é quem conta:

“Nós criamos o saúdecard, um cartão prépago em que o cidadão carrega com determinado valor para que ele fique coberto contra as principais doenças, é um sucesso!”.

Funciona assim: cada doença tem um valor específico para que o cidadão esteja coberto e possa receber atendimento nos hospitais e postos de saúde. Um exemplo é uma perna quebrada. Para que a pessoa possa ser tratada por um ortopedista precisa ter pelo menos 40 reais no cartão. Para doenças como dengue e sarampo, 80 reais. Já partos e pequenas cirurgias, 400 reais.

Para incentivar a população a usar o cartão os criadores inventaram uma promoção de milhagens, em que quem mais usa mais acumula pontos para viagens e troca por produtos. Isso fez com que o saúdecard fosse um sucesso mas trouxe alguns problemas.

Seu João, morador da cidade, afirma que pretende pegar uma hepatite para completar os pontos que precisa e trocar por uma cafeteira. Já Maria do Rosário, secretária, esfola todas as cutículas na esperança de que tenha alguma inflamação e ganhe mais pontos para trocar de fogão.

Mas o caso mais curioso é o de Jeremias dos Santos. Ele está com conjuntivite, sarampo, rubéola, tuberculose e pneumonia, tudo ao mesmo tempo. O objetivo é conhecer Buenos Aires e fazer sua primeira viagem de avião: “Só farta mais uma dúença… tô quase pegando uma gonorréia, que já completaria o trecho de vorta que falta… mas a Dona Maria da quitanda não qué mi ajudá…”

O repórter do Mentira Diária, no período em que esteve na cidade, observou que os postes são cobertos por uma espuma para evitar que os cidadão batam com a cabeça e tenham traumatismo craniano, que dá muitos pontos na troca por milhagens. Ele também passou por maus bocados:

“Quando souberam que eu estava com uma frieira todos quiseram me tocar… tive que sair da cidade escoltado pela polícia”.

Após toda a apuração e casos absurdos e terríveis com a saúde humana, a pergunta que fica na cabeça de todos nós é apenas uma só: quem nasce em São João de Jacutinga da Serra do Norte é chamado de quê, meu deus?

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Categorias:Brasil

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